Ontologias e IA: como preservar regras de negócio na era dos agentes
Gabriel Tavares
Autor verificado
10 setembro
Entre 26 e 28 de agosto, aconteceu em Florianópolis o Startup Summit 2026, reunindo empreendedores, executivos, investidores e profissionais de tecnologia para discutir inovação, crescimento e os caminhos para construir negócios mais relevantes.
A Zallpy esteve presente no evento e voltou com uma provocação que vai além das tendências apresentadas nos palcos: tecnologia, sozinha, não garante crescimento. O que faz diferença é a capacidade de conectar problemas reais, pessoas, estratégia e execução.
Ao longo das palestras, alguns temas apareceram de diferentes formas. Cultura, foco no problema, velocidade de experimentação, novos modelos de negócio, dados e inteligência artificial. Em comum, todos apontam para uma mesma questão: como transformar capacidade tecnológica em valor concreto para o negócio?
Confira os principais aprendizados que levamos do Startup Summit 2026.
Na conversa entre Andreia Fachinello, da Boom Cultura para Crescimento, Rafael de Oliveira Lourenço, do Grupo OLX, e Adriano de Carli, da HunterCo, um ponto ficou claro: cultura não é um tema restrito a clima organizacional ou comunicação interna.
Ela influencia a forma como as pessoas tomam decisões, colaboram, lideram e respondem às mudanças.
Por isso, crescimento e transformação exigem mais do que uma nova estratégia. É preciso alinhar liderança, incentivos, rituais e formas de trabalhar aos comportamentos que a organização quer estimular.
Se a cultura não evolui no mesmo ritmo da estratégia, ela pode se tornar uma barreira ao crescimento.
Uri Levine, cofundador do Waze, levou ao palco uma provocação conhecida, mas especialmente relevante em um momento de grande aceleração tecnológica: apaixone-se pelo problema, não pela solução.
O ponto de partida deve ser a necessidade do usuário, e não necessariamente a tecnologia ou a competência que uma empresa já possui. Isso muda a forma de construir produtos e novos negócios.
Alguns aprendizados se destacaram:
O case apresentado por Sabrine Matos, fundadora da Plink, mostrou outra mudança importante. A Plink nasceu de uma dor específica e relevante. Antes de desenvolver a solução, Sabrine conversou com dezenas de advogados criminalistas para entender o problema, os dados disponíveis e os aspectos legais envolvidos. Depois, utilizou a Lovable para construir a primeira versão, mesmo sem formação técnica ou conhecimento de programação.
A história mostra como ferramentas de IA e plataformas no-code estão reduzindo a distância entre uma ideia e seu primeiro protótipo.
Mas existe uma ressalva importante: a tecnologia acelera a execução, mas não substitui a compreensão do problema.
Esse ponto conversa diretamente com o cenário atual de desenvolvimento de software. A IA pode acelerar prototipação, geração de código e experimentação. Porém, quando uma solução precisa operar em ambientes reais, questões como arquitetura, segurança, integração, qualidade, governança e responsabilidade continuam existindo.
A própria visão da Zallpy para software na era da IA parte dessa premissa: IA acelera engenharia, mas não elimina a necessidade de engenharia.
A conversa de Aline Sordili, do UOL, e Ernesto Alves de Souza, CEO da JetBov, trouxe um dos aprendizados mais importantes do evento para quem acompanha a adoção de IA nas empresas.
O case da JetBov apresentou uma evolução da gestão de uma fazenda em diferentes níveis de maturidade: tradicional, organizada, controlada e inteligente.
A mensagem central é direta: a transformação não começa pela tecnologia. Começa pela organização do trabalho e pela qualidade dos dados que sustentam as decisões.
Ferramentas isoladas podem aumentar produtividade. Mas transformar uma operação exige olhar para processos, dados, infraestrutura, pessoas, governança e tomada de decisão.
Sem dados confiáveis e processos minimamente organizados, a IA tende a encontrar limites rapidamente.
Essa visão está alinhada à jornada de transformação com IA da Zallpy, que estrutura a evolução a partir de capacidades organizacionais, priorização de casos de uso, métricas, governança e integração progressiva da IA ao core do negócio.
Outro ponto interessante discutido no evento foi a diferença entre ir de zero a um e ir de um a dez. Ir de zero a um significa criar algo que ainda não existe. É uma etapa marcada por incerteza, experimentação e descoberta. Ir de um a dez é diferente. Existe algo validado. O desafio passa a ser adaptar, aperfeiçoar e escalar.
Essa distinção ajuda a repensar a ideia de inovação.
Nem toda vantagem competitiva vem de criar algo completamente novo. Muitas vezes, ela está na capacidade de observar o que funciona, aprender rapidamente, adaptar ao contexto e executar melhor.
Para empresas estabelecidas, isso é especialmente relevante.
Inovar não significa necessariamente começar do zero. Pode significar reconhecer uma solução que funciona, entender por que funciona e descobrir como levá-la mais longe.
Embora os temas das palestras tenham sido diferentes, existe uma conexão entre eles:
No fim, o Startup Summit 2026 reforçou uma ideia que vale para empresas de qualquer setor: tecnologia gera valor quando está conectada a uma decisão, um problema ou uma oportunidade de negócio.
É também nesse espaço que a Zallpy atua. Nosso trabalho combina visão consultiva, profundidade técnica, dados, IA aplicada, automação e engenharia de software para ajudar empresas a transformar prioridades tecnológicas em resultados concretos. Essa é a essência de Business Outcomes, Engineered.
O desafio não é simplesmente adotar mais tecnologia, é saber onde aplicá-la, por quê, como colocá-la em operação e como medir o que ela mudou.