Por que AI Builders não vão substituir o código
Antonio Paes
Autor verificado
20 fevereiro
O avanço da IA nas empresas é inevitável e, em muitos casos, desgovernado. Ferramentas como ChatGPT, Copilot ou Midjourney se tornaram tão acessíveis que, hoje, qualquer colaborador pode usá-las sem passar pela TI, sem passar pelo jurídico, e sem que ninguém saiba como essas ferramentas estão processando os dados inseridos.
Esse fenômeno é o que chamamos de Shadow AI. Uma evolução direta do velho conhecido shadow IT, mas com impactos exponencialmente mais críticos. Porque agora, não estamos falando apenas de plataformas SaaS paralelas ou scripts não documentados. Estamos falando de algoritmos que aprendem com seus dados, sem permissão e, pior ainda, sem controle.
Para quem lidera tecnologia em empresas de médio e grande porte, isso não é exatamente novidade. Mas a urgência se impõe: os perigos da inteligência artificial nas empresas não são teóricos, são operacionais, diários e já estão custando caro.
Se antes o shadow IT representava uma dor de cabeça, o Shadow AI eleva o risco a um novo patamar. A utilização não autorizada de IA generativa pode provocar vazamento de dados sensíveis, e isso está acontecendo com mais frequência do que muitos executivos imaginam.
Imagine este cenário: um analista de marketing colando dados de clientes em uma IA para acelerar a criação de campanhas. Ou um desenvolvedor copiando códigos proprietários em uma ferramenta como ChatGPT para buscar otimização. Esses dados, uma vez inseridos, são processados em servidores externos, e nem sempre é possível garantir onde, como ou por quanto tempo serão armazenados.
Vazamento de senhas, listas de clientes, contratos confidenciais e até mesmo estratégias comerciais estão escorregando por entre as brechas do Shadow AI.
Na Zallpy, temos acompanhado de perto como a inteligência artificial nas empresas está sendo usada fora do radar, e os riscos que isso representa:
A falta de governança sobre IA abre brechas que comprometem o core do negócio: propriedade intelectual, reputação e segurança.
Aqui vai uma verdade incômoda: tentar bloquear o uso de IA nas áreas de negócio seria como proibir acesso à internet nos anos 2000. Não vai funcionar, e ainda vai atrasar sua empresa.
A questão não é mais se seus colaboradores estão usando IA. Eles estão.
A questão é: como garantir que isso aconteça com segurança, rastreabilidade e inteligência estratégica?
A IA deve ser tratada como um programa de transformação digital contínuo, com três pilares essenciais:
Porque os perigos da inteligência artificial nas empresas não são causados pela IA em si, mas pela ausência de governança.
Shadow AI não é uma ameaça futura. É um fenômeno presente, que vem ampliando silenciosamente o alcance do shadow IT e expondo empresas a vazamento de dados, vazamento de senhas e riscos jurídicos sérios.
Mas também é um termômetro: mostra que os times querem ser mais produtivos, que estão buscando autonomia e inovação.
Neste cenário, mais do que criar barreiras, o desafio real das lideranças de TI é fomentar uma cultura onde o uso de IA aconteça com responsabilidade, propósito e governança. Isso exige clareza de políticas, maturidade nos processos e, principalmente, consciência contínua sobre os limites entre eficiência operacional e exposição de ativos críticos, como dados sensíveis e propriedade intelectual.
Em tempos de transformação acelerada, estruturar o uso da IA não é mais uma iniciativa opcional, é parte do core estratégico de qualquer empresa digitalmente madura.