Por que AI Builders não vão substituir o código
Antonio Paes
Autor verificado
20 fevereiro
Em um cenário onde a produtividade com IA deixou de ser promessa e passou a ser realidade operacional, a pergunta que líderes de tecnologia deveriam se fazer não é mais “quando adotar IA?”, mas sim “como estamos reestruturando nossa engenharia em torno dela?”
Programar menos e orquestrar mais é o novo mindset da engenharia moderna, e isso tem implicações diretas nas métricas de produtividade, na estrutura dos times e, principalmente, no papel do desenvolvedor.
Durante anos, produtividade em engenharia foi medida por output bruto: commits, linhas de código, releases por sprint. Mas estamos vivendo uma inflexão. A introdução da Inteligência Artificial nos fluxos de desenvolvimento não apenas acelera a entrega, ela altera profundamente a natureza do trabalho técnico.
Aqui, não estamos falando de usar um copiloto. Estamos falando de repensar o ciclo de desenvolvimento com base em agentes de IA, prompts estratégicos e validação orientada ao negócio. Programar com IA exige uma lógica totalmente nova.
Uma mudança de paradigma não se dá apenas pela introdução de novas ferramentas, ela acontece quando o papel do desenvolvedor e a natureza das entregas se transformam.
A seguir, um comparativo direto entre o modelo tradicional de engenharia e a nova postura orientada por IA:
| Atividade | Velho paradigma – Ação direta | Novo paradigma com IA – Nova postura |
| Levantamento de requisitos | Redige do zero | Revisa e complementa sugestões da IA |
| Quebra de tarefas | Divide manualmente | Valida estrutura gerada por IA |
| Estimativas | Define com base em experiência | Ajusta previsões da IA com visão crítica |
| Codificação | Escreve linha a linha | Instrui a IA e revisa com contexto |
| Testes | Escreve manualmente | Valida cenários sugeridos por IA |
| Documentação técnica | Redige posteriormente | Refina documentação gerada automaticamente |
| Revisão de código | Analisa item por item | Usa IA como apoio e foca em decisões-chave |
| Refatoração | Executa quando possível | Valida melhorias sugeridas por IA |
| Deploy e pipelines | Escreve e mantém scripts | Supervisiona fluxos gerados ou otimizados |
| Comunicação com time/PO | Redige status e resumos | Compartilha relatórios gerados com IA |
O novo paradigma exige uma mudança de postura. Programar com IA não é delegar o que já fazemos. É mudar o ponto de partida da engenharia.
Treinar Inteligência Artificial passou a ser uma competência estratégica. E quem domina essa habilidade está construindo vantagem, para si e para sua organização.
Esse novo posicionamento não é apenas técnico, é uma virada de chave que exige novos critérios de avaliação, nova cultura de entrega e um novo mindset da engenharia.
Produtividade com IA não se resume a fazer mais em menos tempo. O verdadeiro impacto está na forma como as entregas ganham consistência, contexto e visibilidade, transformando a engenharia em um processo mais fluido e orientado à intenção.
Essa evolução não é pontual, ela exige times preparados para treinar IA com precisão, programar com IA de forma consciente, e sustentar um novo mindset da engenharia como diferencial competitivo.
É sobre redefinir o que significa entregar valor com tecnologia.
Para os líderes de TI que já entenderam que eficiência não se mede por commits, mas por soluções que movem o ponteiro do negócio, o caminho agora é claro: foco em clareza, contexto e fluidez com apoio da IA.
O futuro da engenharia é menos sobre código, e mais sobre clareza, contexto e fluidez de entrega. É uma mudança de postura, e ela já está em curso.