Por que AI Builders não vão substituir o código
Antonio Paes
Autor verificado
20 fevereiro
Vivemos um ponto de inflexão no desenvolvimento de software. A inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa futurista e se tornou o novo campo de batalha, não apenas entre startups e big techs, mas também dentro das áreas de tecnologia de empresas de todos os tamanhos. A corrida, agora, é por produtividade real.
O ciclo de desenvolvimento de software (SDLC), que por anos evoluiu de maneira incremental, está passando por um redesenho estrutural. E essa mudança não é sobre adicionar IA em pontos isolados. Trata-se de reconstruir seu SDLC com foco em valor, usando a IA como tecido conectivo que costura as etapas do ciclo em um fluxo coeso e inteligente.
A busca por produtividade com IA no SDLC não se resume a gerar código mais rápido. Trata-se de um movimento mais profundo, que começa no entendimento do problema e vai até o monitoramento em produção. Integrando design, engenharia, testes e entrega contínua com apoio cognitivo, o SDLC com foco em valor exige orquestração, não apenas ferramenta.
Empresas que estão na frente nesse jogo já entenderam: a vantagem competitiva não está na ferramenta usada, mas em como essas ferramentas se conectam. E isso é ainda mais crítico em um cenário repleto de soluções brilhantes, mas desconectadas.
Nos últimos meses, o mercado viu uma enxurrada de novidades:
Mas há um problema crítico: essas ferramentas não se conversam.
Hoje, você pode gerar protótipos com IA de um lado, transformar em código em outra, e precisar de três ferramentas diferentes para testar, lançar e monitorar. Cada salto exige uma nova tradução de contexto, e a produtividade se perde nesses vãos.
A verdadeira produtividade do SDLC com IA não virá da genialidade isolada das ferramentas, mas da inteligência coletiva do fluxo integrado.
A tentativa frustrada da OpenAI de comprar a Windsurf por US$ 3 bilhões revela muito sobre o momento. A ideia era clara: integrar a tecnologia da startup ao ChatGPT e ao Codex. Mas o plano mudou.
O CEO da Windsurf foi para o Google DeepMind, e o Google acabou pagando US$ 2,4 bilhões apenas pelo licenciamento da tecnologia, sem comprar a empresa.
Resultado?
A corrida por produtividade com IA está deixando de ser sobre quem lança o melhor assistente. Agora é sobre quem atrai, ou compra, os melhores cérebros.
Esse episódio mostra que estamos diante de uma nova era. A disputa está mais estratégica do que nunca, e seu SDLC com foco em valor precisa refletir isso.
O futuro do ciclo de desenvolvimento de software é um pipeline inteligente, conectado e iterativo. Um SDLC com foco em valor de verdade é aquele em que:
Esse modelo ainda não está maduro. Mas já está no radar das empresas mais estratégicas, e na visão de futuro da Zallpy.
Quem dominar a integração inteligente da IA no ciclo completo de desenvolvimento, dominará a nova era da engenharia de software.
Na prática, muitas empresas estão apenas tateando. Implementam IA onde a dor é mais urgente, como helpdesks ou testes automatizados. Mas isso é só o primeiro degrau.
Na Zallpy, ajudamos nossos clientes a subir a escada com estratégia. Reconstruir seu SDLC com foco em valor exige:
A história da Windsurf mostra como o jogo se tornou volátil e competitivo. No fim do dia, não basta ter a melhor tecnologia: é preciso ter visão, execução e capacidade de integração.
O foco saiu da ferramenta isolada e foi para a inteligência do sistema como um todo. Não é mais uma questão de “ter IA”, e sim de saber onde ela se encaixa, o que ela pode resolver, e como ela transforma o modo como construímos software.
Para quem atua na linha de frente da engenharia, o convite não é para aderir a uma nova moda, mas para redesenhar, com método e visão, o próprio ciclo de desenvolvimento. Porque mais do que nunca, performance de ciclo virou diferencial competitivo e a IA, quando bem integrada, é a engrenagem que pode destravar um novo patamar.