Modernização de sistemas em cooperativas de crédito: como evoluir a tecnologia sem parar a operação
Zallpy
Autor verificado
5 novembro
Implementar inteligência artificial nas empresas exige mais do que acompanhar novas ferramentas, modelos e aplicações. Para gerar resultados de negócio, é necessário identificar oportunidades, avaliar o retorno sobre o investimento, estabelecer uma governança adequada e integrar a tecnologia aos processos existentes.
Para líderes de tecnologia e executivos, o desafio não é simplesmente acompanhar a evolução da IA. É entender como aplicá-la de forma estratégica, gerando impacto mensurável sem cair na armadilha do hype.
Esse foi o ponto de partida do terceiro episódio do Tech for Decision Makers (TDM), podcast da Zallpy. Na conversa, Renan Deves, CTO da Zallpy, recebeu Luiz Zaka, CEO e Founder do The Drops, e Felipe Gonzales, Head of Operations da Zallpy, para discutir uma questão cada vez mais presente nas organizações: como lidar com o FOMO da IA sem tomar decisões guiadas apenas pela pressão do mercado?
A resposta passa por estratégia, governança, engenharia e, principalmente, contexto de negócio.
A velocidade com que a inteligência artificial evolui gera uma sensação constante de urgência. Novos modelos, plataformas, agentes de IA e promessas de transformação surgem continuamente, criando pressão para que as empresas adotem tecnologias rapidamente.
O problema é que nem toda novidade precisa se transformar em prioridade estratégica.
As decisões relacionadas à IA envolvem orçamento, segurança, arquitetura, pessoas, processos e impacto operacional. Por isso, uma estratégia de IA não deve ser guiada pelo medo de ficar para trás, mas pela capacidade de observar tendências, testar hipóteses, medir resultados e tomar decisões fundamentadas.
A questão não é acompanhar tudo. É saber distinguir sinal de ruído.
Uma empresa não precisa adotar cada nova ferramenta que aparece no mercado. Precisa identificar quais tecnologias podem resolver problemas relevantes e gerar impacto mensurável.
Iniciativas bem-sucedidas de IA começam pelo problema de negócio, e não pela tecnologia.
A adoção de IA deve partir da identificação de problemas relevantes para o negócio e de oportunidades concretas de gerar valor, e não da escolha de ferramentas.
Antes de iniciar um projeto, vale responder a algumas questões:
Essa mudança de perspectiva reduz iniciativas sem direcionamento claro e aumenta as chances de gerar resultados reais.
Em vez de perseguir tendências, a organização passa a direcionar esforços para onde a inteligência artificial pode melhorar uma decisão, um processo, uma operação, um produto ou uma experiência de forma mensurável.
O primeiro passo, portanto, é conectar cada iniciativa a um objetivo de negócio e definir como seu impacto será avaliado.
Experimentar faz parte da estratégia de adoção de inteligência artificial nas empresas. No entanto, experimentar não significa testar ferramentas aleatoriamente.
Cada projeto-piloto deve estar associado a uma hipótese de negócio clara. Por exemplo: é possível reduzir o tempo de execução de uma atividade sem comprometer sua qualidade?
Com uma hipótese bem definida, a empresa consegue estabelecer uma linha de base, medir ganhos reais, entender o comportamento dos usuários, avaliar riscos e calcular o potencial retorno da iniciativa.
Uma abordagem estruturada de implementação de IA pode seguir quatro etapas:
Essa abordagem permite que a implementação de IA evolua de forma controlada. O objetivo não é acumular pilotos, mas descobrir quais iniciativas merecem investimento, escala e integração aos processos da empresa.
A discussão sobre inteligência artificial inevitavelmente leva a uma pergunta importante para o negócio: qual será o retorno sobre o investimento?
Muitas soluções parecem acessíveis no início, mas podem se tornar significativamente mais caras à medida que aumentam o número de usuários, o consumo de tokens, o processamento ou a complexidade das integrações.
Por isso, avaliar o ROI da IA exige uma visão mais ampla do que apenas o custo da licença.
Algumas perguntas importantes incluem:
Além dos custos diretos, é importante considerar os efeitos da solução sobre a operação. Dependendo do caso de uso, a avaliação pode incluir redução do tempo gasto em tarefas, diminuição de retrabalho, aumento da produtividade ou melhoria da qualidade das entregas.
Esses indicadores devem ser definidos de acordo com o problema que a iniciativa pretende resolver. Sempre que possível, compare os resultados com uma linha de base e considere os custos de implementação, operação e manutenção.
Falar de ROI não significa reduzir toda iniciativa de IA a uma planilha financeira. Significa criar uma relação clara entre investimento, mudança operacional e resultado esperado.
Sem essa conexão, a organização corre o risco de adotar tecnologia sem saber exatamente qual valor ela está gerando.
À medida que as ferramentas de inteligência artificial se tornam mais acessíveis, cresce a preocupação com o Shadow AI: o uso de soluções de IA por profissionais sem conhecimento ou aprovação formal da empresa.
Isso cria um cenário em que a tecnologia já está sendo utilizada, mas a organização pode não saber exatamente onde, por quem, para quais finalidades e com quais dados.
O problema não está necessariamente no uso da IA, mas na falta de visibilidade e de critérios claros para sua utilização.
Uma estratégia de governança de IA deve definir:
Essas diretrizes ajudam a estabelecer limites para o uso da tecnologia sem impedir a experimentação.
O objetivo não é restringir a inovação, mas garantir que as iniciativas aconteçam de forma segura, responsável e alinhada às necessidades da organização.
O valor da inteligência artificial raramente está na ferramenta isolada. Ele surge quando a tecnologia consegue se conectar ao contexto da empresa.
Uma solução pode produzir respostas impressionantes em um ambiente genérico e, ainda assim, não gerar impacto dentro da realidade operacional de uma organização.
Para que a IA contribua efetivamente para os resultados do negócio, os projetos corporativos costumam exigir:
Essa integração permite que a tecnologia seja utilizada em atividades e processos reais, considerando as particularidades da organização.
Como resumido no episódio do Tech for Decision Makers: a mágica acontece na integração.
É nessa conexão entre tecnologia, dados, processos e contexto que a IA pode deixar de ser um experimento isolado e passar a gerar valor sustentável.
Existe uma percepção de que a inteligência artificial reduz a importância da engenharia de software. Na prática, incorporar IA a processos críticos torna a engenharia ainda mais relevante.
Testar uma tecnologia é relativamente simples. Transformá-la em uma capacidade operacional confiável, segura e escalável é um desafio muito maior.
Por isso, projetos corporativos de IA precisam considerar aspectos como:
A discussão sobre IA, portanto, não substitui a engenharia. Ela reforça a necessidade de combinar conhecimento técnico, visão arquitetural e compreensão dos processos de negócio para transformar experimentos em soluções confiáveis.
A adoção de inteligência artificial normalmente leva a uma decisão prática: comprar uma solução pronta, desenvolver internamente ou trabalhar com parceiros especializados.
Não existe uma resposta universal. A melhor alternativa depende das necessidades e das capacidades de cada organização.
Entre os principais critérios de decisão estão:
Uma solução pronta pode ser suficiente quando o objetivo é acelerar a adoção e o produto atende aos requisitos da empresa.
Em outros cenários, pode ser necessário desenvolver capacidades específicas ou integrar diferentes tecnologias para atender às necessidades da operação. A parceria com especialistas também pode ser considerada quando a organização precisa complementar suas competências internas ou acelerar a execução.
A decisão deve levar em conta não apenas a velocidade de adoção, mas também a sustentabilidade da solução, sua integração ao ambiente tecnológico e o retorno esperado.
O mais importante é compreender que a estratégia tecnológica deve servir ao objetivo de negócio, e não o contrário.
A evolução da IA exige que as lideranças acompanhem mudanças relevantes, mas isso não significa transformar cada novidade em uma iniciativa de investimento.
O papel da liderança é distinguir tendências que podem afetar a estratégia daquelas que ainda podem ser acompanhadas sem uma adoção imediata.
Alguns temas merecem atenção:
A capacidade de trabalhar simultaneamente com texto, imagem, áudio e vídeo amplia as possibilidades de aplicação da inteligência artificial em diferentes contextos corporativos.
O desafio é identificar quais dessas capacidades respondem a necessidades reais da operação.
Nem todo problema exige o maior modelo disponível. A escolha entre modelos maiores, menores, locais ou hospedados depende do contexto operacional, dos requisitos técnicos, dos custos e do nível de desempenho necessário.
Data centers, GPUs, consumo computacional e capacidade de processamento são fatores relevantes para a estratégia de IA, especialmente à medida que as aplicações ganham escala.
Por isso, os custos de infraestrutura precisam fazer parte da avaliação econômica das iniciativas.
Definir regras claras para uso, segurança, responsabilidade e compartilhamento de dados é fundamental para acompanhar a adoção da tecnologia dentro das organizações.
O uso não autorizado de ferramentas também precisa entrar no radar das lideranças, com mecanismos de visibilidade e diretrizes que permitam equilibrar controle e inovação.
A integração continua sendo um dos fatores centrais para transformar a capacidade dos modelos em resultados de negócio.
Conectar a IA aos sistemas, aos dados e ao conhecimento da empresa permite desenvolver aplicações mais alinhadas às necessidades operacionais.
Diante dessas tendências, a prioridade não deve ser adotar tudo primeiro. Deve ser avaliar o que faz sentido para o negócio, considerando oportunidades, riscos, custos e capacidade de execução.
A velocidade da evolução da IA pode criar a impressão de que todas as empresas precisam fazer tudo ao mesmo tempo. Mas estratégia não é acompanhar todas as tendências.
Estratégia é construir um processo consistente para identificar oportunidades, testar hipóteses, medir resultados e direcionar recursos para aquilo que gera impacto real.
As organizações devem priorizar problemas relevantes para o negócio e identificar onde a IA pode gerar valor e vantagem competitiva, direcionando seus recursos para iniciativas de maior impacto.
Essa mudança de mentalidade diferencia iniciativas experimentais de programas que efetivamente geram valor para o negócio.
Para isso, é necessário conectar estratégia, dados, tecnologia, processos, pessoas, governança e engenharia. Empresas que conseguem unir visão estratégica e capacidade de execução estão mais preparadas para transformar tecnologia em vantagem competitiva sustentável.
O FOMO provavelmente não desaparecerá tão cedo. Novos modelos, agentes, plataformas e aplicações continuarão surgindo em velocidade acelerada.
O diferencial competitivo não estará em adotar tudo primeiro, mas em entender o contexto, avaliar oportunidades com critérios claros, implementar uma governança adequada e escalar iniciativas que demonstrem valor real.
A maturidade em inteligência artificial não se mede pela quantidade de ferramentas utilizadas. Ela se mede pela capacidade de transformar tecnologia em resultado de negócio.
No terceiro episódio do Tech for Decision Makers, podcast da Zallpy, Renan Deves, Luiz Zaka e Felipe Gonzales discutem como as empresas podem lidar com o FOMO da IA, tomar decisões tecnológicas mais conscientes e identificar oportunidades reais de geração de valor.
Assista ou ouça ao episódio completo e aprofunde a discussão sobre estratégia, governança, engenharia e aplicação da inteligência artificial nos negócios.